sexta-feira, 30 de março de 2007

Um brinde!

Tudo bem. Mais uma sexta-feira em casa. Como adoro as pessoas de Brasília. Nada melhor que combinar a semana inteira para sair, e chegar no dia, e alguma desculpa esfarrapada aparecer para desmarcarem tudo.
O mais engraçado que os brasilienses sofrem de uma doença provocada pela “enrrolatus coletivus”, uma bactéria que faz a pessoa ser enrolada. E isto já é questão de saúde pública mesmo. Uma epidemia eu diria.
Um caso típico ocorreu hoje. Combinei com sete pessoas de ir à um bar. Ali, do lado de nossas casas. Só uma dessas pessoas que mora mais longe. Aliás, duas. Uma em Taguatinga e a outra no Guará. Então estes dois transeuntes estariam perdoados. Se não fosse a terceira vez que furam um programa.
As outras cinco pessoas, o que dizer? É literalmente abrir a porta de casa e atravessar a rua. Isto nos leva a uma interessante análise sócio-espacial desta doença que, devido à falta de estudos em cima dela, chamaremos de S.F., ou Síndrome do Furo.
A S.F., pelo que foi percebido, ataca principalmente o Plano Piloto de Brasília e as cidades-satélite de Taguatinga, Guará, Lago Norte e Lago Sul. Isso se deve à expansão urbana desordenada entremeada de espaços vazios no interior da cidade.
Esses espaços geram uma percepção de isolamento criando condições ideais para o desenvolvimento da bactéria. Por isso, os brasilienses dos locais apontados se isolam vivendo em uma espécie de “mundo próprio”. Não conversam, tem medo de calor humano, tem medo de se aproximar dos outros, e, o pior de tudo, são extremamente enrolados.
Mas ao mesmo tempo, essas mesmas pessoas incrivelmente são extremamente versáteis em suas profissões. Trabalham, trabalham, trabalham. Mas aparentemente nunca tem tempo para se divertir. Eu disse aparentemente.
Por exemplo, ligo para uma amiga para confirmar a tal saída do bar, ela atende o telefone ofegante, dizendo que está na academia. Pergunto-me se não atrapalhei uma trepada. Pessoas que exercem o papel social de convidar as pessoas tem esse péssimo hábito de interromper trepadas através de telefonemas. Bem, problemas das pessoas que atendem o telefone enquanto estão trepando.
Voltando à análise inicial, devemos salientar que as pessoas que sofrem dessa doença se encaixam no perfil da classe média e das classes de alta renda. Talvez seja porque os brasilienses tem medo de seu rico patrimônio ser roubado enquanto estão na mesa de bar. Normalmente gastam horrores de dinheiro pra ficar em casas de festa durante... duas horas. Depois voltam para casa, pois não podem suar, peidar, cagar fora de casa, ficar sem exibir o carro novo na porta das festas, esnobar as pessoas em volta, etc.
Proponho aqui mapear esta doença, e localizar suas quadras de maior ocorrência. A Asa Norte precisa seriamente desta análise para que a secretaria de saúde tome as devidas providências. O sindicato de bares iria gostar disso, pois assim teriam mais fregueses.
Sexta-feira, com uma garrafa de cerveja em minha mesa, na frente do computador, escrevendo, comendo pão de queijo, sozinho. Mais tarde eu assisto um filme que aluguei. Talvez seja melhor eu procurar a tal da bactéria para ver se eu não esquento muito a cabeça com isso. Enquanto meu coração mineiro não se contamina com essa palhaçada brasiliense, faço um brinde aos brasilienses. Vão à merda!

Um comentário:

Kami disse...

boa sorte na nova vida blogueira!!!
brasília eh foda mesmo :P
mas eu amo S2 haoahohaoahoa
beojo