domingo, 15 de abril de 2007

Talvez

Talvez você nunca saiba o que pode acontecer daqui a cinco minutos, talvez você nunca saiba o que aconteceu a cinco minutos atrás. Talvez amanhã será um dia bonito, talvez amanhã será um dia feio. Talvez se você parar de dizer talvez conseguiremos chegar a algum lugar.
Talvez... Talvez... Talvez... Dúvida cruel que consegue atacar qualquer coração que esteja fragilizado por um golpe. Pare de dizer talvez, pois o Talvez não existe. O que existem são dois caminhos: Sim e Não.
Nenhum deles é errado. Os dois caminhos são certos. Como vocês devem ter pensado, o Sim leva para o caminho da afirmação e o Não para o caminho da negação. Andar entre estes dois caminhos é algo meio que suicida.
O caminho do Talvez realmente não existe. É uma estrada que passa por matas fechadas, campos de brejo, pedras pontiagudas. As outras duas estradas são pavimentadas. Dizem as histórias que os poucos que sobreviveram a este caminho, chegaram em Sim ou em Não. O talvez não existe...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Jogos

Cansado, mas disposto. Com sono, mas desperto. Desanimado, mas animado. Sério, porém brincalhão. Pequenas contradições que podem transformar nosso dia em um perfeito dia-de-cão. É igual um jogo de poker. Você pode ganhar a jogada com péssimas cartas na mão, assim como pode perder a jogada com ótimas cartas na mão.
Existem pessoas que não sabem jogar as cartas no momento certo. Essas vivem perdendo os jogos por um único motivo. Nunca sabem quando é a hora certa de arriscar. E em um jogo de poker, você pode ter apenas uma única chance para virar a situação.
Por exemplo, existem momentos que podem nunca se repetir em sua vida. E o que você fez para viver aquele momento? Nada... esperou a jogada do adversário. E aquela enrascada que você teve a chance de cair fora, o que você fez? Nada... esperou a jogada do adversário. E no momento de estar neutro? Aí sim você finalmente acertou. Pois esperou. Mas e depois na hora de agir? Nada... esperou demais...
Pessoas assim tendem a ficar sozinhas por muito tempo, pois nunca sabem a hora certa de cobrir a aposta, a hora de desistir da aposta, a hora de apostar tudo. O medo sempre ronda o coração desse tipo de pessoa.
Tenho um jogo em mãos. Mas será que conseguirei cobrir as apostas? Ou será que devo fugir? Ou será que devo esperar? Não sei... Talvez eu seja apenas um cego...

terça-feira, 10 de abril de 2007

Heróis

Qual o típico sonho de uma criança? Pergunta relativamente fácil. Ser um herói. Mas o que isto significa? Ser herói, basicamente significa salvar alguém, ou algo. Seja uma pessoa, um animal, uma idéia, uma ideologia, etc.
A partir dessas indagações, partimos então para uma história sobre um pequeno garoto que queria ser um herói.
Era uma vez, um pequeno menino, que assistia muitos desenhos e jogava bastante vídeo-game. Todos os dias sonhava em ser um herói diferente. Cada herói baseado em seus personagens favoritos. Mas tinha dois principais.
Um deles era um elfo que veste roupas verdes, carrega espadas e escudos lendários, e seu objetivo é salvar a princesa e vencer o rei malvado. O outro herói era um cowboy guitarrista, feito de carne e aço, que pilotava uma nave no espaço.
Brincando com bastante afinco nessas questões, o tempo passou, e tornou-se fá de mutantes, cavaleiros que usam armaduras de bronze e outro, e outros personagens.
Chegou um dia, em que o pequeno garoto já imaginava situações em que ele se tornava herói. Tudo em sua imaginação.
Bem, como já chegamos à conclusão, isto trouxe muitos problemas para nosso protagonista. Já correu de balas, já correu de bandidos, já foi soterrado. Mas em todas essas histórias, foram apenas confusões, não houve heroísmo, houve simplesmente confusão. Ninguém foi salvo por ele.
Resolveu então partir para a tentativa de salvar as pessoas através das palavras. Faladas e escritas. Como diria uma banda musical por aí: “estou escrevendo para alcançar você, mostrar quem você é, mas isso não é você”.
Tudo bem, conseguiu tocar algumas pessoas através dessas ferramentas. Mas nunca mudou a vida de ninguém por causa disso. Os anos se passaram, e pequeno menino já tinha deixado de ser garoto e passou a ser adulto. Mas, esse tempo todo, seu maior sonho ainda era ser um herói.
Caiu em uma grande depressão, e saiu dessa depressão. Mas a vontade de ser herói ainda não passou. Já se imaginou saindo de assaltos, salvando a vida de amigos, entre outras situações em que com certeza é louco para se enfiar.
Hoje, ao acordar, esse homem acorda com o sol queimando seu rosto. Ele começa então a matutar sobre o sonho de ser herói. Lembrou de quando esteve na depressão, lutou para sair de lá. Muitos ajudaram, é verdade, mas o esforço maior foi dele.
Então, um grande sorriso se abre em seu rosto. Quando nos apegamos a um sonho com muito afinco, esquecemos de ver os momentos em que completamos grandes feitos, mas que são tão sutis naquele momento, que deixamos passar completamente em branco. E esse protagonista foi feliz em perceber que realizou um sonho extremamente importante em sua vida. Finalmente ele salvou alguém... Salvou-se da auto-destruição, percebeu então qual o grande erro que cometia. Para sentir-se vivo, precisava estar dentro do buraco. Mas não mais.
Tornou-se herói, e hoje voa por entre as nuvens... Com esse pensamento, colocou um cobertor na janela para impedir a entrada das mariposas solares, e voltou a dormir um sono extremamente tranqüilo...

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Estradas

O legal de morar em Brasília é que você acaba aprendendo a se divertir sozinho. Hoje eu comprei uma garrafa de vinho, uma bandeja de queijo prato e peguei emprestado o teclado de um amigo para comemorar o aniversário do meu irmão mais novo.
Depois de algumas tentativas, a primeira música que consigo tocar inteira é “Aquarela do Brasil”. Mando algumas mensagens para alguns amigos para comemorar a minha primeira vitória no caminho que me leva de volta ao mundo da música.
Na verdade não sei se receberam, mas tudo bem, o que importa é a intenção. Sei que as pessoas que mandei esta mensagem estão torcendo comigo para que eu arrume algo para fazer além de ficar na internet conversando abobrinha.
Tudo bem, a pose de intelectual está completa. Vinho, queijo e um pouco de música. Depois de horas brincando no teclado, tentando tocar a Aquarela inteira sem errar, eu resolvo descansar. Para a minha sorte, hoje a internet daqui de casa está desconfigurada. Oba! Posso escrever e fazer outras coisas!
Minhas idéias foram jogadas em um liquidificador. Estou pensando em tudo e mais um pouco. Esse tal de vinho é bom pra me deixar tonto. Já se foi uma garrafa. Pretendo tomar mais uma garrafa de cerveja escura. Hoje.
Como estou descansando da brincadeira de tocar teclado, eu obviamente estou escutando música. A música é “Samba do Grande Amor” de Chico Buarque. Essa música realmente conseguiu me emocionar.
Ultimamente eu tenho rido bastante do grande amor, mas cheguei à conclusão que rir do grande amor não vai me levar a nada. Na verdade eu estava rindo dele, pois estou sentindo falta de estar apaixonado, se é que me entendem.
Não entenderam? Então para explicar isso, vamos passar por alguns caminhos distintos. Primeiro a noite, depois a chuva, depois a rosa, e depois o arco-íris. Acompanhem-me, por favor. Mas antes, deixem-me terminar esse copo de cerveja.
(Um minuto depois)... Tudo bem, acabou. Vamos começar a viagem?
A primeira parte da viagem é a noite. Não consigo me imaginar dando um primeiro beijo em uma mulher com aquele sol quente, de rachar. No máximo um pôr-do- sol. Mas tem que ser bem bonito e em um lugar especial.
Você pode me chamar de frouxo ou de qualquer outra coisa do gênero. Eu não ligo. Mas é assim que funciona comigo. Tenho meus motivos. Primeiro, a noite é um momento em que estou mais acordado (não sou vegetal para funcionar à fotossíntese); em segundo lugar, eu me sinto mais inspirado durante o período noturno para qualquer coisa; e em terceiro lugar, a noite possui um valor simbólico muito grande.
Em primeiro lugar, a noite possui ares diferentes. Você pode pensar “mas isto é óbvio”, e está com a razão. Pense bem, durante a noite, o tempo é mais fresco, mais arejado, as diferenças na pressão atmosférica tornam-se mais acentuadas permitindo uma maior circulação das massas de ar, etc. E de dia, é uma coisa abafada, cheia de poeira levantando, cheio de carro passando na rua, uma luminosidade que ninguém agüenta, etc.
Em segundo lugar, é durante a noite que os seres-mágicos-que-brincam-com-os- corações-das-pessoas saem para brincar. Alguns são teimosos e saem de dia, mas como escrevi antes, só em ocasiões especiais, ou seja, somente as espécies de seres-mágicos- que-brincam-com-o-coração-das-pessoas que estão em extinção saem durante o dia.
Com a primeira parte da viagem explicada, vamos para a segunda parte da viagem: a chuva. Na verdade, essa parte da viagem é muito pessoal. A chuva sempre me inspirou e espero que irá me inspirar por muito tempo. A maioria das pessoas não conseguem entender essa posição que coloco. Sinceramente, eu também não consigo entender porque muitas pessoas não gostam de dias chuvosos. Se você for ver bem, são realmente mais bonitos que os dias ensolarados.
Para começar, é o momento em que o ciclo hidrológico retorna ao seu início. Em segundo lugar, a cor do céu fica mais bonita. Em terceiro lugar, o ar é mais fácil de respirar. Em quarto lugar, tem menos poeira visível no ar. A única desvantagem é que nossos carros ficam sujos. Mas fora isso, não vejo nenhum motivo para reclamar de dias chuvosos. Muito pelo contrário.
Não sei explicar porquê a chuva me inspira a escrever. Só sei que fico mais sensível durante esses dias. E, portanto, fico mais romântico, mais susceptível a gostar de uma mulher (que se encaixe no quesito “copanheirona”, conceito que irei explicar mais adiante).
“Atravesso a rua quando vejo uma flor e dou risadas do grande amor” realmente é uma mentira. De todas as flores, não existe flor melhor que a rosa para representar o amor.
O amor é realmente algo lindo. Mas possui espinhos. E como tenho certeza que alguns psicólogos irão concordar comigo, esses espinhos podem viciar. Principalmente quando alguém se deslumbra demais com uma rosa. Você acaba se espetando demais em seus espinhos e acaba ficando viciado.
Outra coisa que devemos tomar cuidado: Se não soubermos cuidar da pobre coitada, ela vai necessariamente murchar. Portanto, eu não digo nada de novo para ninguém, mas é sempre bom lembrar de que precisamos cuidar das flores que estão às nossas janelas.
Considere que este ser que está escrevendo conseguiu atravessar todas as etapas da viagem. Chegamos ao que interessa: o arco-íris. É uma estrada que eu realmente pretendo trilhar com uma mulher que se encaixe no perfil de “copanheirona”.
A mulher “companheirona” é aquela que não me causa problemas (e ao mesmo tempo acha que eu não causo problemas); é aquela que sabe o que quer; é aquela que possui planos que não são fixos (assim como os meus); é aquela que sabe ser independente; é aquela que não tem medo de ter um defeito apontado; e tem que gostar de rock and roll (pode gostar de qualquer coisa também, mas o rock é pré-requisito básico).
Com este conceito em mente, voltemos à nossa estrada. As lendas dizem que no final desta estrada existe um pote de ouro. É de conhecimento comum que poucos acham esse pote. Mas poucos sabem que ninguém irá achar esse pote sozinho, precisa da ajuda de mais uma pessoa. Porém, em meio a essa quantidade de pessoas no mundo, é compreensível que seja difícil achar a pessoa certa para nos acompanhar nesta estrada (muitas vezes nem chegamos à etapa dessa viagem).
Depois de contar essa historinha toda, eu tenho certeza que você que está lendo isso deve estar se perguntando, assim como eu: “Quem é a pessoa que me levará ao pote de ouro?”
Eu realmente estou curioso para saber qual mulher irá conseguir caminhar esta difícil estrada comigo...

terça-feira, 3 de abril de 2007

O Acorde Silencioso

E num acorde silencioso, minha mente começa a rodopiar em música. Aquele acorde, onde vozes mudas cantam o começo de um mundo novo, o mundo de sonhos guiados pelas asas da noite, para além da borda do mundo, próximo às estrelas, onde posso me sentar na Lua.
Na lua o acorde silencioso entoa um timbre diferente, melancólico e ao mesmo tempo alegre. É como se o violão estivesse em sintonia com a grande flauta, me levando para o pequeno vale da lua onde as crianças sonhadoras podem brincar juntas.
Ao chegar perto, percebo que essas crianças formam o coral das vozes mudas que cantam um mundo novo. Um mundo de sonhos, onde não existe a impossibilidade de voar por cima da borda do mundo, e depois voltar e cair no fundo do mar e conhecer um mundo novo e surpreendente lá nas profundezas.
Esse novo mundo também possui seu próprio acorde silencioso com o coral das vozes silenciosas, e, como todos sabem, o fundo do mar também navega nas asas da noite, pois lá é tudo escuro.
Mais uma vez o acorde bate, e em uma viagem rápida até a borda do mundo, à lua, e depois para o fundo do mar, retorno à esta cadeira, desperto triste por ter descido das asas da noite e ter perdido a oportunidade de escutar aquela música melancólica, alegre, com o acorde silencioso e o coral de vozes mudas, chamada silêncio.

Vodca

Enquanto escrevo aqui, acreditem, eu estou falando sozinho. E o mais engraçado é que eu estou falando comigo mesmo em charadas. Não estou entendendo o que eu quero dizer.
Quem está me escutando é um alienígena engarrafado. Isso mesmo. Ninguém mais além do pequeno ser ali dentro da garrafa olhando para fora com seus grandes olhos negros e esbugalhados.
Depois de algum tempo escrevendo sobre os amigos para matar o tédio e a saudade, você começa a ter devaneios. Mas são saudáveis. Por exemplo, posso ir sempre acreditando em nada, já que algo deve morrer. Mas este é um pensamento falho. Se eu não acreditar em nada, quem vai morrer sou... Pensando melhor, o pensamento está correto. O Mestre Ian sempre acerta com as palavras.
O certo mesmo seria apertar a minha própria mão e me congratular por meus feitos raros e preciosos.
Realmente eu acho que nunca senti tanto orgulho de minha pessoa como estou sentindo agora em toda a minha vida. Tudo bem, eu admito, estou lacrimejando de alegria agora, prometi que não faria isso, agora eu molhei o papel todo...
Poderia citar milhões de motivos para isso. Mas estou com preguiça de escrever tanto. Em vez disso, um dia irei fazer esta narrativa enquanto tomamos cerveja, tequila ou saquê. Pode ser refrigerante também.
Mas um desses motivos eu posso escrever: nunca arranquei tantos sorrisos e gargalhadas com tanta sinceridade na minha vida. E isso vale para os dois lados. Como estou realmente de bem comigo mesmo, as piadas se tornaram muito mais espontâneas e engraçadas do que antes. Consequentemente, as risadas são mais espontâneas e alegres.
...
...
...
Desculpem. Fui bruscamente interrompido pelo meu intestino. Ele é realmente grosso. Muito sem educação ele. Mas voltando...
Estou aqui, sentado, ao lado de um alienígena engarrafado, no portal das estrelas entre Ubú e o Cruzeiro-do-Sul. O alienígena engarrafado está tentando me convencer a atravessar o portal para que eu possa visitar a família dele que mora do lado da estrela central da constelação.
Quase fui. Mas tive o cuidado de perguntar se tinha pão com manteiga e pastéis de angu recheados com queijo-minas derretido, orégano e azeite. Ele respondeu que sim, mas que eram produzidas em escala e vendidas dentro de latas. Desisti de atravessar o portal das estrelas na mesma hora. Nunca iria querer comer pastel de angu recheado com queijo processado e enlatado.
Nota importante para o conhecimento do público: alimentos são processados por adEvogados. Daqueles que ficam em porta de cadeia. Por isso que alimentos processados geralmente não são bons.
Perguntei uma vez para um advogado o que ele seria se não fosse ladr... Digo... adEvogado. Ele me respondeu com uma música cantada pelo Monty Python:



“Se eu não fosse um advogado,
Eu seria um limpador de janelas!
Com um chuc-chuc para cima
E um wush-wush para baixo,
Eu limparia o dia todo!
Com um chuc-chuc para cima
E um wush-wush para baixo,
Eu limparia o dia todo!”

Opa! Olha o vento frio para a Valhalla! Me despeço do adEvogado cantor, pego a garrafa com o alienígena dentro, e me deixo levar para a terra das Valkírias. Como elas são lindas... E boas de cama também. Garanto que é um fodasso!
Ok, acordei, acordei, foi só um cochilo. Fui acordado por um morcego que quase derrubou a garrafa com o alienígena dentro. O morcego veio me trazer cartões postais enviados por um lobo solitário, uma menina-chuva, uma pequena-menina e uma pequena samurai. Todos diziam a mesma coisa:

“Só para lembrar que eu liguei.”

Bom, como isso não fez o menor sentido, posso chegar à conclusão que “meu zero elevado à potência de dez deles é igual a nada demais...” HAHA! Foi minha vez de não fazer sentido. Peguei vocês!
O morcego voltou. Mas passou cantando Warrant. Isso sim não fez o menor sentido. Ele voou embora.
Fiquei vendo o vôo do bicho. Escutei um grito de alguém agonizando do meu lado. Era o alienígena engarrafado. Estava se debatendo. Ficou ali se debatendo até morrer (foi rápido). Eu não pude fazer nada. É o destino de toda garrafa de vodca ficar vazia...
E assim eu dou um ponto final em mais um orgulho de minha vida: uma nova crônicazinha digna de ser lida por Eric Idle.

“SAY NO MORE!!!!”