terça-feira, 5 de junho de 2007

A estrada das luzes (2 de 4)

Estou sentado á mesa. O café ocupa um pequeno volume do copo, e o restante é ocupado por leite. Momento de descanso para Jovem-que-não-tem-cara-fechada-mais e Pequena Menina.
Tinham percorrido vários quilômetros pela estrada do arco-íris. Estavam casados com a bela, porém difícil viagem. Esta estrada passa pela vida. E tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais de cada um.
Conversaram bastante, brincaram bastante com coisas sérias, coisas fúteis, coisas bestas, e coisas muito importantes. Encontraram uma casa onde moravam dois velhinhos muito simpáticos, que os acolheram para dar aos nossos protagonistas algo para comer.
Depois de se conhecerem, os velhinhos deixaram Jovem-Risonho e Pequena Menina para conversarem mais. Outras pessoas apareceram nesta cena, foi uma moça alta que atendia pelo nome de Lua, e uma pequena criança que ficou um pouco tímida de entrar nas conversas.
Horas se passaram, e Jovem-Risonho descobriu que Pequena Menina tinha uma habilidade nata para fazer malabarismo com facas. E também ocorreu um fato engraçado. Ela caiu dentro de uma garrafinha de saquê.
Dentro do líquido, ela começou a se imaginar em cidades japonesas, sentada comendo e bebendo, e falando em japonês. Estava vestida com um kimono branco, conversando com uma velinha japonesa menor que ela muito fofa.
Porém, ela estava se afogando sem se dar conta disso. Jovem-Risonho teve que puxar ela para fora da garrafa. Enxugou ela com um pequeno pedacinho de pano e a colocou sobre a mesa, longe de qualquer copo ou garrafa que ela pudesse cair.
O que significou isso? Não sei dizer ao certo, então não vou dizer por Pequena Menina, mas vou contar uma história sobre Jovem-Risonho que possui um significado parecido.
Uma vez ele engoliu uma rosa muito linda. Mas foi com espinhos e tudo. Aqueles espinhos machucavam a sua barriga, mas ele continuava comendo rosas iguais àquela. Rosas lindas que machucavam por dentro deixando marcas profundas.
Mas a diferença para Jovem-Risonho e Pequena-Menina é que ela gostou de mergulhar neste saquê e se emocionou muito com a velhinha simpática. E parece não ter se incomodado com o saquê quente queimando sua língua. Será que existe algo a mais para descobrirmos aqui?
Como já dito antes, Jovem-Risonho não tem o costume de perguntar as coisas, pois acredita que quando alguém não quer falar sobre um problema não adianta perguntar. Não vai adiantar nada, e só vai causar chateação. No dia que Pequena Menina quiser falar sobre esse tombo dentro da garrafinha de saquê, ela vai falar mais abertamente.
Bem, a noite caiu, e nossos amigos tiveram que se separar por um curto período de tempo. Pequena Menina queria ficar mais tempo com o casal de velhinhos simpáticos. Jovem-Risonho quis olhar uma estrada de luzes que passava ali perto.
Nesse momento, a história vai tomar um rumo inesperado. A nossa personagem principal irá ficar de fora por um tempo, mas garanto que é só neste capítulo. Jovem-Risonho subiu em sua carruagem e seguiu pela estrada de luzes.
Era uma estrada bonita e feia ao mesmo tempo. Era feia porque era bem sinistra, não tinha muita vida. Pessoas machucadas ao longo da estrada, e vários buracos que dificultavam a passagem da carruagem.
Mas ao mesmo tempo era bonita pois em meio à escuridão das asas da noite, aquela luz iluminava sem brilho formando uma grande estrada reta, que faz com que os viajantes voltem às viagens passadas.
Quando digo viagens, não digo apenas no sentido literal. Digo em todos os momentos divertidos e difíceis que estão guardados em algum lugar de nossas memórias.
A diferença entre esta estrada e a estrada do arco-íris, é que é a primeira é uma viagem solitária. E a segunda é uma estrada que precisa de duas pessoas para cruzá-la. Com isto explicado, voltemos à nossa história.
Jovem-Risonho se lembrou quando ele viu Pequena Menina pela primeira vez. Ela estava sentada no banco, e ele passou por ela, mas naquele momento não deu atenção, pois tinha uma cara muito fechada. Isso era provocado pelas rosas que ele engolia.
Ele se esforçava muito para continuar engolindo essas rosas, mesmo se machucando muito. Era uma rosa mágica que dominava ele. E fazia com que Jovem-Risonho se tornasse Jovem-de-cara-fechada.
Seguiu mais alguns quilômetros pela estrada de luz e lembrou-se de como foi simples achar esta estrada que diziam ser escondida. E na verdade, a estrada não poderia ter nome melhor... E também percebeu que ela andava paralela à Estrada do arco-íris.
Bom, suponho que você entendeu que esta estrada gera uma nostalgia muito grande no viajante. Nostalgia nos remete à memórias. E quer guia melhor para a vida do que nossas memórias?

Um comentário:

Anônimo disse...

Profundo. O jeito de escrever é tão sutil que qualquer pessoa pode se identificar, ainda que o texto seja inspirado em conturbações pessoais do autor.

Parabéns!