terça-feira, 3 de abril de 2007

Vodca

Enquanto escrevo aqui, acreditem, eu estou falando sozinho. E o mais engraçado é que eu estou falando comigo mesmo em charadas. Não estou entendendo o que eu quero dizer.
Quem está me escutando é um alienígena engarrafado. Isso mesmo. Ninguém mais além do pequeno ser ali dentro da garrafa olhando para fora com seus grandes olhos negros e esbugalhados.
Depois de algum tempo escrevendo sobre os amigos para matar o tédio e a saudade, você começa a ter devaneios. Mas são saudáveis. Por exemplo, posso ir sempre acreditando em nada, já que algo deve morrer. Mas este é um pensamento falho. Se eu não acreditar em nada, quem vai morrer sou... Pensando melhor, o pensamento está correto. O Mestre Ian sempre acerta com as palavras.
O certo mesmo seria apertar a minha própria mão e me congratular por meus feitos raros e preciosos.
Realmente eu acho que nunca senti tanto orgulho de minha pessoa como estou sentindo agora em toda a minha vida. Tudo bem, eu admito, estou lacrimejando de alegria agora, prometi que não faria isso, agora eu molhei o papel todo...
Poderia citar milhões de motivos para isso. Mas estou com preguiça de escrever tanto. Em vez disso, um dia irei fazer esta narrativa enquanto tomamos cerveja, tequila ou saquê. Pode ser refrigerante também.
Mas um desses motivos eu posso escrever: nunca arranquei tantos sorrisos e gargalhadas com tanta sinceridade na minha vida. E isso vale para os dois lados. Como estou realmente de bem comigo mesmo, as piadas se tornaram muito mais espontâneas e engraçadas do que antes. Consequentemente, as risadas são mais espontâneas e alegres.
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Desculpem. Fui bruscamente interrompido pelo meu intestino. Ele é realmente grosso. Muito sem educação ele. Mas voltando...
Estou aqui, sentado, ao lado de um alienígena engarrafado, no portal das estrelas entre Ubú e o Cruzeiro-do-Sul. O alienígena engarrafado está tentando me convencer a atravessar o portal para que eu possa visitar a família dele que mora do lado da estrela central da constelação.
Quase fui. Mas tive o cuidado de perguntar se tinha pão com manteiga e pastéis de angu recheados com queijo-minas derretido, orégano e azeite. Ele respondeu que sim, mas que eram produzidas em escala e vendidas dentro de latas. Desisti de atravessar o portal das estrelas na mesma hora. Nunca iria querer comer pastel de angu recheado com queijo processado e enlatado.
Nota importante para o conhecimento do público: alimentos são processados por adEvogados. Daqueles que ficam em porta de cadeia. Por isso que alimentos processados geralmente não são bons.
Perguntei uma vez para um advogado o que ele seria se não fosse ladr... Digo... adEvogado. Ele me respondeu com uma música cantada pelo Monty Python:



“Se eu não fosse um advogado,
Eu seria um limpador de janelas!
Com um chuc-chuc para cima
E um wush-wush para baixo,
Eu limparia o dia todo!
Com um chuc-chuc para cima
E um wush-wush para baixo,
Eu limparia o dia todo!”

Opa! Olha o vento frio para a Valhalla! Me despeço do adEvogado cantor, pego a garrafa com o alienígena dentro, e me deixo levar para a terra das Valkírias. Como elas são lindas... E boas de cama também. Garanto que é um fodasso!
Ok, acordei, acordei, foi só um cochilo. Fui acordado por um morcego que quase derrubou a garrafa com o alienígena dentro. O morcego veio me trazer cartões postais enviados por um lobo solitário, uma menina-chuva, uma pequena-menina e uma pequena samurai. Todos diziam a mesma coisa:

“Só para lembrar que eu liguei.”

Bom, como isso não fez o menor sentido, posso chegar à conclusão que “meu zero elevado à potência de dez deles é igual a nada demais...” HAHA! Foi minha vez de não fazer sentido. Peguei vocês!
O morcego voltou. Mas passou cantando Warrant. Isso sim não fez o menor sentido. Ele voou embora.
Fiquei vendo o vôo do bicho. Escutei um grito de alguém agonizando do meu lado. Era o alienígena engarrafado. Estava se debatendo. Ficou ali se debatendo até morrer (foi rápido). Eu não pude fazer nada. É o destino de toda garrafa de vodca ficar vazia...
E assim eu dou um ponto final em mais um orgulho de minha vida: uma nova crônicazinha digna de ser lida por Eric Idle.

“SAY NO MORE!!!!”

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