O legal de morar em Brasília é que você acaba aprendendo a se divertir sozinho. Hoje eu comprei uma garrafa de vinho, uma bandeja de queijo prato e peguei emprestado o teclado de um amigo para comemorar o aniversário do meu irmão mais novo.
Depois de algumas tentativas, a primeira música que consigo tocar inteira é “Aquarela do Brasil”. Mando algumas mensagens para alguns amigos para comemorar a minha primeira vitória no caminho que me leva de volta ao mundo da música.
Na verdade não sei se receberam, mas tudo bem, o que importa é a intenção. Sei que as pessoas que mandei esta mensagem estão torcendo comigo para que eu arrume algo para fazer além de ficar na internet conversando abobrinha.
Tudo bem, a pose de intelectual está completa. Vinho, queijo e um pouco de música. Depois de horas brincando no teclado, tentando tocar a Aquarela inteira sem errar, eu resolvo descansar. Para a minha sorte, hoje a internet daqui de casa está desconfigurada. Oba! Posso escrever e fazer outras coisas!
Minhas idéias foram jogadas em um liquidificador. Estou pensando em tudo e mais um pouco. Esse tal de vinho é bom pra me deixar tonto. Já se foi uma garrafa. Pretendo tomar mais uma garrafa de cerveja escura. Hoje.
Como estou descansando da brincadeira de tocar teclado, eu obviamente estou escutando música. A música é “Samba do Grande Amor” de Chico Buarque. Essa música realmente conseguiu me emocionar.
Ultimamente eu tenho rido bastante do grande amor, mas cheguei à conclusão que rir do grande amor não vai me levar a nada. Na verdade eu estava rindo dele, pois estou sentindo falta de estar apaixonado, se é que me entendem.
Não entenderam? Então para explicar isso, vamos passar por alguns caminhos distintos. Primeiro a noite, depois a chuva, depois a rosa, e depois o arco-íris. Acompanhem-me, por favor. Mas antes, deixem-me terminar esse copo de cerveja.
(Um minuto depois)... Tudo bem, acabou. Vamos começar a viagem?
A primeira parte da viagem é a noite. Não consigo me imaginar dando um primeiro beijo em uma mulher com aquele sol quente, de rachar. No máximo um pôr-do- sol. Mas tem que ser bem bonito e em um lugar especial.
Você pode me chamar de frouxo ou de qualquer outra coisa do gênero. Eu não ligo. Mas é assim que funciona comigo. Tenho meus motivos. Primeiro, a noite é um momento em que estou mais acordado (não sou vegetal para funcionar à fotossíntese); em segundo lugar, eu me sinto mais inspirado durante o período noturno para qualquer coisa; e em terceiro lugar, a noite possui um valor simbólico muito grande.
Em primeiro lugar, a noite possui ares diferentes. Você pode pensar “mas isto é óbvio”, e está com a razão. Pense bem, durante a noite, o tempo é mais fresco, mais arejado, as diferenças na pressão atmosférica tornam-se mais acentuadas permitindo uma maior circulação das massas de ar, etc. E de dia, é uma coisa abafada, cheia de poeira levantando, cheio de carro passando na rua, uma luminosidade que ninguém agüenta, etc.
Em segundo lugar, é durante a noite que os seres-mágicos-que-brincam-com-os- corações-das-pessoas saem para brincar. Alguns são teimosos e saem de dia, mas como escrevi antes, só em ocasiões especiais, ou seja, somente as espécies de seres-mágicos- que-brincam-com-o-coração-das-pessoas que estão em extinção saem durante o dia.
Com a primeira parte da viagem explicada, vamos para a segunda parte da viagem: a chuva. Na verdade, essa parte da viagem é muito pessoal. A chuva sempre me inspirou e espero que irá me inspirar por muito tempo. A maioria das pessoas não conseguem entender essa posição que coloco. Sinceramente, eu também não consigo entender porque muitas pessoas não gostam de dias chuvosos. Se você for ver bem, são realmente mais bonitos que os dias ensolarados.
Para começar, é o momento em que o ciclo hidrológico retorna ao seu início. Em segundo lugar, a cor do céu fica mais bonita. Em terceiro lugar, o ar é mais fácil de respirar. Em quarto lugar, tem menos poeira visível no ar. A única desvantagem é que nossos carros ficam sujos. Mas fora isso, não vejo nenhum motivo para reclamar de dias chuvosos. Muito pelo contrário.
Não sei explicar porquê a chuva me inspira a escrever. Só sei que fico mais sensível durante esses dias. E, portanto, fico mais romântico, mais susceptível a gostar de uma mulher (que se encaixe no quesito “copanheirona”, conceito que irei explicar mais adiante).
“Atravesso a rua quando vejo uma flor e dou risadas do grande amor” realmente é uma mentira. De todas as flores, não existe flor melhor que a rosa para representar o amor.
O amor é realmente algo lindo. Mas possui espinhos. E como tenho certeza que alguns psicólogos irão concordar comigo, esses espinhos podem viciar. Principalmente quando alguém se deslumbra demais com uma rosa. Você acaba se espetando demais em seus espinhos e acaba ficando viciado.
Outra coisa que devemos tomar cuidado: Se não soubermos cuidar da pobre coitada, ela vai necessariamente murchar. Portanto, eu não digo nada de novo para ninguém, mas é sempre bom lembrar de que precisamos cuidar das flores que estão às nossas janelas.
Considere que este ser que está escrevendo conseguiu atravessar todas as etapas da viagem. Chegamos ao que interessa: o arco-íris. É uma estrada que eu realmente pretendo trilhar com uma mulher que se encaixe no perfil de “copanheirona”.
A mulher “companheirona” é aquela que não me causa problemas (e ao mesmo tempo acha que eu não causo problemas); é aquela que sabe o que quer; é aquela que possui planos que não são fixos (assim como os meus); é aquela que sabe ser independente; é aquela que não tem medo de ter um defeito apontado; e tem que gostar de rock and roll (pode gostar de qualquer coisa também, mas o rock é pré-requisito básico).
Com este conceito em mente, voltemos à nossa estrada. As lendas dizem que no final desta estrada existe um pote de ouro. É de conhecimento comum que poucos acham esse pote. Mas poucos sabem que ninguém irá achar esse pote sozinho, precisa da ajuda de mais uma pessoa. Porém, em meio a essa quantidade de pessoas no mundo, é compreensível que seja difícil achar a pessoa certa para nos acompanhar nesta estrada (muitas vezes nem chegamos à etapa dessa viagem).
Depois de contar essa historinha toda, eu tenho certeza que você que está lendo isso deve estar se perguntando, assim como eu: “Quem é a pessoa que me levará ao pote de ouro?”
Eu realmente estou curioso para saber qual mulher irá conseguir caminhar esta difícil estrada comigo...
sexta-feira, 6 de abril de 2007
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